Santa Maria

Anteontem estava na casa do meu irmão filando um sinal wi-fi, quando Maria sentou ao meu lado. Não foi uma visão religiosa. Maria é a governanta da casa. Eu ali com meu note nas pernas, vendo qualquer coisa na TV. Ela mandou:

- Andrea, você ainda não tirou essa aliança né?
-Não Maria, não consigo tirar. Uso a minha e a do Zé aqui (pendurada no pescoço)

Ela me deu uma aula de desapego. Tirei o som da TV, parei de trabalhar e fiquei ouvindo e me explicando.

Eu disse que não conseguia tirar, que mesmo tendo saído da minha casa e me separado de algumas coisas dele, eu ão podia tirar aquela aliança, que o Zé tinha morrido num momento em que estava tudo bem entre nós, na nossa vida e eu não estava preparada para estar sem ele, e não me sentia sem ele de jeito nenhum. Eu cultivo muito a presença do Zé, é verdade. Ainda tenho algumas roupas, muitos pequenos objetos, a última bagana, o fósforo riscado, escova de dente, mantive duas cuecas (lavadas!), envelopes de cordas D’Addario com anotações  sobre eles. Eu saí da nossa casa que era o “paraíso do Zé” e ao voltar lá outro dia tinha percebido que o “esprito” dele não estava lá. A casa era só a minha casa vazia.
E assim, eu continuo tendo minhas crises de choro aqui em SP. Quando estou em algum lugar e percebo algum bofe me olhando, eu até dou aquela olhada, mas ao mesmo tempo sei que ele está olhando uma mulher casada. Quer dizer, estou me fodendo toda por vontade própria.
No meu mural em frente à minha mesa de trabalho estavam umas 10 fotos, em todas elas o Zé.
No closet, o Zé, nossa foto de casamento.
Na sala, instrumentos do Zé.

A Maria me disse que eu tinha que parar com isso, guardar essas fotos, tirar as alianças, dar as roupas, me desapegar dessas coisas físicas que eu fico cultuando o dia todo. Ela me disse: “O Zé morreu e ele não vai voltar. Você está viva. Faz o seguinte: converse com ele como se ele estivesse do seu lado de verdade. Fale que você o ama, mas que ele morreu, você está aqui viva e quer viver a sua vida, que um dia vocês  vão se encontrar. Fala tudo o que sentir de verdade. Porque você está mantendo o espírito dele grudado em você. A sua casa estava vazia porque a felicidade dele não era a casa, mas a vida que ele tinha com você e a Nina, por isso ele não está lá. Como é que você vai arrumar uma namorado assim?”
“Mas eu não quero arrumar um namorado”
“ahhhh mas vai querer”

Saí da casa do meu irmão e fui pra casa. Tirei a minha aliança, comecei a chorar, tirei o meu cordão com a aliança do Zé. Coloquei a aliança de novo. Aí peguei a minha caixa de preciosidades do Zé e joguei a escova de dentes e duas gravatas (que o Zé só usava em eventos que detestava) no lixo. Aí, peguei todas as fotos que estavam pelo quarto e guardei na caixa. Achei mais uma foto que ficava dentro de um coração, nós nos beijando no casamento. Sentei na minha cama e chorei com aquela foto na mão e tirei a aliança e ali eu conversei rapidamente com ele. Fui direta, com muito amor, mas fui direta, não queria prolongar esse papo. Coloquei as duas alianças dentro do porta retrato e guardei na caixa.

Estou sem aliança ha 2 dias e me sentindo estranha. Tentando me reconhecer como eu era não sem o Zé, mas eu além do Zé, antes ou depois que o conheci, eu sou de um jeito que é o que estou tentando achar agora. Estranhamente estou me vendo com mais naturalidade do que poderia imaginar. Isso é o mais estranho. Eu me lembro de mim sim. Peguei um colar que usei por anos e anos e anos, era uma marca registrada minha e o recoloquei, como sinal do meu reencontro com aquela que eu sempre fui.

Diminuí meu rivotril que alguns médicos me convenceram a tomar nos últimos 4 meses de 0,5 para a metade (0,25). Quebro ao meio, antes de dormir e está tudo ótimo assim. Quando eu puder voltar à minha análise aqui em SP, acho que fico boa.

O que aprendi dessa vez, como boa discípula da vida que tento ser desde que descobri que não tem outro jeito:

1- Preciso me desapegar mesmo, mudar pra cá e continuar a me sabotar não vai ajudar nem um pouco.
2- Nenhuma pessoa está ali à toa e a gente tem que aprender a ouvir.
3- Quando estamos fragilizados assim sem condição de reagir e ver com clareza como nos sabotamos, botar em prática: eu ouço e obedeço. (agradecer por essas pessoas se importarem!)

Estou me sentindo bem melhor sem aquela overdose de recuerdos.

28 thoughts on “Santa Maria

  1. Eu realmente tenho muito que aprender lendo você!
    Minha Esposa se foi há 5 anos e meio.
    Ainda uso as duas alianças. A dela no meu dedo mínimo…
    A escova de dentes dela ainda está ao lado da minha , naquela “caixinha-de-escovas-de-dentes” que temos no banheiro.
    O guarda-roupa dela continua dela.
    Eu sigo. Creio até que bem.
    Já namoro há quase um ano. Fiz-me de “difícil” mas, a pessoa que encontrei é tão “showzinho” que tolera todo este meu lado tosco.
    Bem, livre eu me senti desde o início. Se você viu a “Liberdade é Azul” do Kieslowski, pode entender a espécie de Liberdade a que me refiro. Se não viu, não veja.
    Às vezes reflito e penso que a viuvez é um estado mais “adequado” às mulheres (quando eu disse que era tosco não estava brincando…). A sociedade está mais “preparada” para viúvas (ainda não foi o bastante, tenho que insistir…). Afinal, os homens sempre foram mais idiotas para deixarem esposa e filhos para irem
    atrás de guerras imbecis, grandes aventuras heróicas, enfim, “coisas muito importantes”.
    E as pobres esposas e os pobres filhos perdiam seus esposos e pais.
    Dificilmente as mulheres fazem essas coisas “estúpidas”.
    Bem, é só isso.
    Ah! Gostei do “garçom gato” e do “bofe me olhando”.

    • É, eu acho que só com pessoas que passam pela mesma coisa que a gente vai aprendendo. Isso é o que me acontece. Aprendo aqui com todos os comentários. Eu estou convencida da necessidade de me separar desses objetos. É difícil pra burro, mas aos poucos eu estou fazendo…bem aos poucos. BJ

  2. Deia:

    Demorou mas abalou, baby!
    Quando tirei a minha aliança e coloquei junto com a do Fer, na correntinha no pescoço (????!!!!), cheguei no meu círculo de amigos e uma pessoa já veio direto e reto e mandou um “sabia que você ia colocar a aliança no pescoço. Só tava esperando para ver quando ia acontecer!”.

    Eu fiquei indignadíssima!!!! Minha dor era minha, era própria, era pessoal, não tinha um manual de instruções ou um modelo básico para seguir!!! Se fosse assim, querida, me passasse a fórmula mágica da viuvez precoce, há meses atrás, que eu teria economizado muuuuuito choro!!!

    Mas, enfim, revoltas passadas, também tirei as alianças do pescoço. Estão lá, no guarda-roupas, junto com as outras joias. E não me incomodam. Mas também eu não voltei a coloca-las!

    Bjos e bençãos.
    Mirys
    http://www.diariodos3mosqueteiros.blogspot.com

    OBS: estou feliz que você esteja se sentindo bem. Keep going!

    • Eu usava a aliança dele e a minha no dedo, mas em todo lugar que eu ía todo, sempre tinha um ou outro que perguntava do meu marido.Depois disso fui percebendo que a realidade era outra, e que a aliança representava na verdade algo que já não existia mais, e cada vez que perguntavam dele eu me sentia muito triste, então já não as uso mais, o par de alianças está guardado, assim como todos os objetos dele. As roupas e calçados foram para doação, e guardo apenas algumas coisas comigos. Mas evito ficar mexendo, pra mim dói muito, e percebi que minha filha também fica triste em ver as fotos e as coisas do pai.

      Beijos e que Deus fortaleça e abençoe a todos!

  3. Preciso de falar do sonho bizarro que tive esta noite.

    No sonho eu eu ia morar com o Zé na casa do mei do mato. Eu estava meio desconfortável com a situação, pq no sonho eu lembrava do meu marido e pensava “pq estou aqui se eu sou casada com outro homem?”. Ai lembrei que tinha que te avisar urgente que o Zé ainda estava vivo e morando na casa, e o sonho acabou ali. :-P

    Aiai, doideira. O_o

    • hahahhaha, Ila, eu li seu coment ontem quando cheguei do filme sobre o aterro de Gramacho e o trabalho de Vik Muniz. Maravilhoso, tem que ser visto e tem que ganhar o oscar. Voltando ao assunto: fui dormir rindo uito do seu sonho. Um beijo!

  4. Fazia tempo que não passava por aqui, vc ficou um bom tempo sem escrever e acabei perdendo o costume de visitar seu canto mais vezes. Mas quanta coisa boa li nos seus últimos 5 ou 6 posts. E que passo enorme você deu com a ajuda da Maria! Desde os primeiros textos seus que li, nunca achei que você tivesse vocação pra tristeza infinita. Que bom que não tem. Sei o quanto cada passo é duro, mas a recompensa por cada um deles também é enorme e torço para que ela preencha seu coração com tudo o que há de melhor. Ah, e antes tarde do que nunca, que você e sua família sejam muito benvindos a São Paulo. Beijo grande.

  5. Eita que esse é um passo enorme! Lembro bem do dia que tirei a aliança do dedo. Chorei, chorei, choreeeeeeiiii e disse: não vou esperar não em sentir mais casada, isso aqui me lembra dele a toda hora. Tirei, e como a Mirys, coloquei no pescoço junto com a dele, ambas numa correntinha que ele usava. Depois tirei a correntinha e as alianças e guardei tudo. É libertador mesmo e é estranho. Força aí!

    • É um ritual de passagem mesmo. Nøs sabemos como é difícil. Aliás, nem sempre, outro dia conheci uma viuva mais jovem que eu que tirou na boa, e estava quase comemorando a nova vida de solteira. Louca.

  6. Santa Maria! Acredite ela estava certa. Ninguém nos ensina o desapego já que em toda a nossa vida as lições são de conquistas. Perder faz parte, sentir falta é consequência. Difícil, muito difícil… Parabéns pelas pequenas atitudes. Se redescobrir é o caminho certo. Para frente, sempre! Beijos.

  7. Andrea,
    Também usei um tempo as duas alianças no meu cordãozinho, junto com bonequinho representando meu filho.
    Mas, depois retirei, estão guardadas bem escondidinhas para não me machucar.
    Tudo vai dar certo, tudo.
    bjs
    Lu

  8. Santa Maria!
    Algum anjo deve ter falado pela boca desta Maria Santa. Que bom que ela lhe disse o que disse e você, ouviu e praticou. Você é muito inteligente Andréia e com certeza, não é masoca, está tentando sofrer na dose certa – sem overdose – da tristeza que já deve ser grande.
    um beijo e PARABÉNS pela força, e fé na vida.
    Dinorah

    • Dinorah, desse mal pelo menos eu não sofro: eu não subestimo a capacidade de niguém de ter a sua experiência, de ter o que nos dizer. Pelo contrário, gosto de ouvir o que as pessoas têm a dizer, mesmo que depois eu ache que foi uma besteira, mas a gente tem que pelo menos ouvir e aprender o que puder. Beijos!

  9. Te admiro muito.
    Obrigada pela lição de vida e tudo que tem me ensinado.
    Muito obrigada.
    Um beijo na Maria.
    Abraço, Vivian Antunes.

  10. Eu nunca usei alianca, entao nao tive que tira-la, mas tive a fase de deixar a escova de dentes no banheiro, de deixar as roupas penduradas no gancho do armario e as fotos por todos os lados. Por causa das circunstancias da minha vida nao tive nenhuma Maria para me dar opiniao e o que constatei e’ que aos poucos estas “coisas” que tinham pertencido a ele foram virando coisas outra vez, deixaram de representa-lo diretamente. E ai fui mudando as coisas de lugar, dando muitas roupas e o que voce descreve de se achar outra vez foi acontecendo naturalmente, sem dor.
    Acho muito fantastico ver que a nossa natureza vai nos levando se a gente deixa para a felicidade outra vez, para sermos seres completos outra vez.

  11. Mimansa, Déia e meninas,
    Pessoas como a Maria são realmente uma luz na nossa vida.
    Vale a pena ouví-las sempre…
    Só não dá para ouvir aqueles q julgam sem nunca terem passado por nada nem de longe parecido.
    O tempo ajuda, e como ajuda….ainda bem!
    bjs a todas.
    Lu.

  12. Fiquei viúva há 1 ano e 5 meses, e, usava ainda as duas alianças….., usar as alianças significava pra mim uma declaração de que eu não esqueceria jamais o Will, que ele estava comigo.. que eu fora casada, que eu tive alguem que me amou, que meu filho tinha um pai.. um excelente pai, que morreu justamente pagando uma promessa pela vida do seu filho!
    Com 6 meses de viuvez, voltei a sair… e comecei a ter uma necessidade louca de sair , pelo menos 2 x por mês, e toda sexta-feira, beber com os amigos da faculdade era certo, beber, beber, beber….

    Numa dessas baladas me perguntaram sobre a aliança, e o comentario foi “casada na balada, o maridão deve fazer 3. turno).. fiquei pessima, e toda vez que saía m perguntavam se era casada, eu dizia viuva, e vinha um monte de questionamentos que me deixavam pessima, me faziam relembrar tudo…

    Algumas vezes eu tirava a aliança para sair, e, quando ia recolocá-la no dia seguinte me sentia pior ainda..
    Num dia de desespero total, vontade de conversar, de desabafar, me lembrei do cartão de uma cartomante, um cartomante, ahh nem sei como definir, era um travesti.. e acabei indo, entre uma carta e outra, ela ou ele.. a Giovanna, me disse que eu deveria tirar a aliança, me perguntou se o Will estava usando na hora da morte e eu disse que sim.. e ela disse.. se vc quer guardar bons momentos essa aliança guarda a dor do acidente, e é uma forma de voc~e ainda estar prendendo seu marido a esse compromisso.. me disse que meus caminhos se abririam depçois que eu rompesse com o passado..
    Pois bem, a tal da consulta não me disse nada, eu só vim pra casa com um grande questionamento m relação a aliança, a pensar que realmente ele estava usando no acidente, e ai eu olhava pra ela e me lembrava da daquela desgraça toda.. , e com uma frase martelando na minha cabeça.;; ‘Até que a morte os separe” não me casei na igreja, mas aquela frase pela primeira vez me fazia algum sentido.. desapegar da aliança fazia parte daquela separação que a morte havia me imposto.. realmente eu deveria desprender o Will desse compromisso… estilo Ghost Whisperer me senti como se estivsse impedindo ele de segur a luz..
    Tirei as alianças, coloquei num porta jóias no guarda-roupas do nosso bebê, correndo pra ir pra faculdade..no outro dia procurei , nãoa chei… meu filho teve uma pneumonia, e isso me consumiu uns dias, quando ele melhorou, e eu retornei a faculdade fui procurar as alianças, não sabia ao certo se as usaria, ou se queria apenas vê-las, não achei, procurei chorando o quarto todo, liguei pra minha mãe, tive um surto horroroso, quebrei o quarto todo, coloquei abaixo estantes, guarda roupa do bebê, roupas de cama…. achei primeiro a dele, e depois a minha, toda amassada prensada nos pés do guara-roupa, simplesmente devo ter deixado cair o porta jóias, e na bagunça ela rolou…
    Já faz quase 1 mês isso, eu ainda não levei as alianças pra consertar, olho sempre pra marca no dedo, sinto falta, mas acredito que a decisão de estar sem elas tem sido adequada!

    • Né mole não Andressa. O Zé tinha acabado de cumprir uma promessa de um ano que fez por mim, ela acabou dia 23 e ele morreu dia 27. Eu acredito na existência do espírito, sinto que existe. E assim, senti algumas mudanças em mim desde quetirei as alianças e depois quando completou um ano da morte do Zé. As coisas vão mudando, as pessoas me falam que eu sou impaciente comigo mesma. Pode ser, mas eu realmente me cobro muito que fique bem, recuperada logo. Não me reconheço na tristeza e no meu caso, manter lembranças sutis, leves está sendo um bom caminho. Melhor do que manter as coisas do Zé em todos os caminhos que eu fazia pela casa. Tinha foto do Zé até na porta do carro, como um mural. Tirei tudo desde o conselho da Maria. Mas cada uma encontra seu jeito, porque na boa, é foda. Vmaos nessa Andressa. Me segue lá no http://muiedomeidomato.wordpress.com/, que esse luto aqui já deu. Beijosss!

    • Né mole não Andressa. O Zé tinha acabado de cumprir uma promessa de um ano que fez por mim, ela acabou dia 23 e ele morreu dia 27. Eu acredito na existência do espírito, sinto que existe. E assim, senti algumas mudanças em mim desde quetirei as alianças e depois quando completou um ano da morte do Zé. As coisas vão mudando, as pessoas me falam que eu sou impaciente comigo mesma. Pode ser, mas eu realmente me cobro muito que fique bem, recuperada logo. Não me reconheço na tristeza e no meu caso, manter lembranças sutis, leves está sendo um bom caminho. Melhor do que manter as coisas do Zé em todos os caminhos que eu fazia pela casa. Tinha foto do Zé até na porta do carro, como um mural. Tirei tudo desde o conselho da Maria. Mas cada uma encontra seu jeito, porque na boa, é foda. Vamos nessa Andressa. Me segue lá no http://muiedomeidomato.wordpress.com/, que esse luto aqui já deu. Beijosss!

  13. Olá Andresa,
    Li seu comentário sobre as alianças.
    Realmente é difícil. Comigo foi o pouco diferente porque eu estava grávida qdo meu marido faleceu, por causa do inchaço da gravidez eu já havia retirado a aliança antes de tudo acontecer, então, não voltei a usar, no dia do sepultamento dele eu coloquei as duas alianças no meu cordão, junto do meu coração, mas logo depois eu retirei tudo. Mas, cada uma tem seu jeito de enfrentar as coisas.
    É tudo muito difícil, mas o tempo realmente nos ajuda.
    Bjs
    Lu

  14. E perdi meu marido a 1 mes e 2 dias,num assalto atiraram nele…meu filho mas novo de 19 anos estava no carro com o pai e assistiu tudo…eu era casada a 21 anos,conheci ele com 15 anos…hj tenho 41 anos…minha vida foi toda com ele…tenho 2 filhos de 21 e 19 anos,nós eramos uma familia mto feliz,feliz mesmo…meu marido era mto familia,adorava festas,tudo pra ele era motivo de festa…eu estava lendo os depoimentos acima sobre as alianças…engraçado as nossas alianças era diferentes,ai 15 dias antes dele falecer,ele pegou as nossas alianças e mandou fazer iguais…no dia que ele faleceu ele estava indo buscar elas,mas nao deu nem tempo de pegar…ai entrei em desespero pq queria as alianças,eu precisava usar elas…mas nao deve como ninguem ir buscar pra mim,ai essa semana dia 18,meu filho mas velho no rio e passou para pega-las,ai me ligou e falou assim:Mae,as alianças que meu pai mandou fazer pra vcs sao lindas…meu coraçao ficou apertaddo e doeu mto,em saber q nem deu tempo dele ver e nem usar…entao resolvi colocar ela no meu dedo,e nao sei quando vou tirar,pq ate hj eu ainda nao aceitei e nem acredito q perdi ele,parece que estou vivendo um pesadelo e vou acordar e ele vai esta ali do meu lado.As coisas dele ainda estao no mesmo lugar,nao tirei nada de la ainda,nao tenho coragem…so nao abro a porta do guarda roupa dele,pq isso pra mim e mto sofrimento ver as coisas dele ali: camisas,shorts,camisetas,bermudas,meias,calças etc…As pessoas me falam tira isso dai,mas falar isso pra quem nao esta passando o q agente esta e facil…o dificil e ser agente,e imaginar a dor q sentimos…meu filho q assistiu tudo esta traumatizado,so dormi a base de calmante e eu tbm…eu tiver que assumir os negocios dele,meu escritorio esta cheio de foto dele…eu acredito mto na vida apos a morte…sempre ensinei meus filhos,acho q e isso que esta me dando força para seguir em frente…

    • Olinda, sinto muito muito por vocês todos. Deu pra sentir e lembrar de como eu fiquei desnorteada quando o Zé morreu. eE muita dor mesmo. Hoje eu fiz a minha primeira aula de pilates desde que o Zé morreu. Eu estava sem faze nada até hoje, 21 meses. Tenho uma dor que é bem no meio do peit, na altura do osso esterno. Uma amiga que ficou viuva ha launs meses me contou sobre uma dor igualzinha a que tenho. Ela esteve numa terapeuta corporal que disse ao tocar naquele ponto que é um chacra e que ela deveria estar muito triste. É aonde doi fiscamente. Achamos nós duas que é uma dor de viúva. A dor é enorme e doi a alma, o corpo, tudo. Fiquei muito desesperançosa, acei que nunca mais teria alegria na vida. Li um ivro muito bom. Se quiser uma dica, eu acho que ajuda muito mesmo: Quando tudo se desfaz – de uma monja budista. É um livro para quem está passando por isso: uma puxada de tapete. Serve pra você e seus filhos. Leia. Quero te dizer uma coisa que pode te trazer alguma esperança. Sua vida nunca mais será a mesma, vocês todos estão modificados, mas isso vai melhorar com o tempo. Hoje estou muito alegre e vivendo com leveza. Muita saudade, mas essa dor eu aprendi a viver com ela, é uma parte de mim e deixo ela lá. Vai no seu ritmo Olinda, não dá pra ninguém dizer pra uma viúva como eu, como você, que o melhor é fazer isso ou aquilo. Tenha muita fé que a gente aprende, se transforma e cresce. Muito amor pra vocês.

  15. tenho 36 anos e há 1 ano perdi meu marido. Teve um infarto , ficou 43 dias internado e morreu vítima de sepse( infecção hospitalar). na época tínhamos uma filha de 8 anos e outra de 05 meses e foi muuito difícil o período de internação e depois do falecimento. 01 mês depois do falecimento, já esvaziei os armarios de roupa e resolvi as coisas todas da vida prática sozinha, e acho que isso foi bom, porque acho que se tivesse deixado mais tempo seria mais doloroso. Bem, quanto às alianças, como ainda não tinha voltado ao meu peso de antes da gravidez , estava sem a aliança e a dele veio pra casa no dia em que infartou. Estão guardadas. Vivíamos muito bem, éramos uma família feliz , nos completávamos. Estou pensando em pegar essas alianças , mais as de noivado que ainda tenho e transformar em outro anel ou pingente, com o desenho do infinito, como representação do amor que vamos continuar a ter um pelo outro, só que agora vividos de maneiras diferentes, caminhos diferentes e ligados pelo amor. Embora até hoje tenha sempre a impressão de a qualquer momento vou acordar desse pesadelo.

    • Cintia, eu acho você uma mulher com muita saúde mental e emocional. Que bom. Eu dei várias derrapadas e acho que só agora estou começando a apresentar uma normalidade. Estou adorando poder me sentir mais desapegada de detalhes e de ter coragem de assumir decisões só minhas. Tá legal. Mas cá entre nós, fica sempre a fantasia de que ele ainda vai aparecer alguma hora.

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Tema: Esquire até Matthew Buchanan.

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